quinta-feira, março 31, 2011

Ogum

OGUM Divindade masculina ioruba, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. É sincretizado com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa. A relação de Ogum com os militares tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após ter sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou. É Orixá das contendas, deus da guerra. Seu nome, traduzido para o português, significa luta, batalha, briga. É filho de Iemanjá e irmão mais velho de Exu e Oxossi. Por este último nutre um enorme sentimento, um amor de irmão verdadeiro, na verdade foi Ogum quem deu as armas de caça à Oxossi. O sangue que corre no nosso corpo é regido por Ogum. Considerado como um Orixá impiedoso e cruel, temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos, ele até pode passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e amável. É a vida em sua plenitude. A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro. Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados. Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta. Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte. Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, soldados, ferreiros, trabalhadores, agricultores e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação. Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido. É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão. É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas . É o dono do Obé (faca) por isso nas oferendas rituais vem logo após Exú porque sem as facas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios. Ogum é o dono das estradas de ferro e dos caminhos. Protege também as portas de entrada das casas e templos (Um símbolo de Ogum sempre visível é o màrìwò (mariô) – folhas do dendezeiro (igi öpë) desfiadas, que são colocadas sobre as portas das casas de candomblé como símbolo de sua proteção). Ogum também é considerado o Senhor dos caminhos. Ele protege as pessoas em locais perigosos, dominando a rua com o auxílio de Exú. Se Exú é dono das encruzilhadas, assumindo a responsabilidade do tráfego, de determinar o que pode e o que não pode passar, Ogum é o dono dos caminhos em si, das ligações que se estabelecem entre os diferentes locais. Uma frase muito dita no Candomblé, e que agrada muito Ogum, é a seguinte: “Bi omodé bá da ilè, Kí o má se da Ògún”. (Uma pessoa pode trair tudo na Terra Só não deve trair Ogum). Ogum foi casado com IANSÃ que o abandonou para seguir XANGÔ. Casou-se também com OXUM, mas vive só, batalhando pelas estradas e abrindo caminhos. CARACTERÍSTICAS Cor Vermelha (Azul Rei) (Em algumas casas também o verde) Fio de Contas Contas e Firmas Vermelhas Leitosas Ervas Peregum(verde), São Gonçalinho, Quitoco, Mariô, Lança de Ogum, Coroa de Ogum, Espada de Ogum, Canela de Macaco, Erva Grossa, Parietária, Nutamba, Alfavaquinha, Bredo, Cipó Chumbo.(Em algumas casas: Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba) Símbolo Espada. (Também, em algumas casas: ferramentas, ferradura, lança e escudo) Pontos da Natureza Estradas e Caminhos (Estradas de Ferro). O Meio da encruzilhada pertence a Ogum. Flores Crista de Galo, cravos e palmas vermelhas. Essências Violeta Pedras Granada, Rubi, Sardio. (Em algumas casas: Lápis-Lazúli, Topázio Azul) Metal Ferro (Aço e Manganês). Saúde Coração e Glândulas Endócrinas Planeta Marte Dia da Semana Terça-Feira Elemento Fogo Chakra Umbilical Saudação Ogum Iê Bebida Cerveja Branca Animais Cachorro, galo vermelho Comidas Cará, feijão mulatinho com camarão e dendê. Manga Espada Numero 2 Data Comemorativa 23 de Abril (13 de Junho) Sincretismo São Jorge. (Santo Antônio na Bahia) Incompatibilidades: Quiabo Qualidades Tisalê, Xoroquê, Ogunjá, Onirê, Alagbede, Omini, Wari, Erotondo, Akoro Onigbe. ATRIBUIÇÕES Todo Ogum é aplicador natural da Lei e todos agem com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permitem uma conduta alternativa. Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um “caboclo” de Ogum, avesso às condutas liberais dos freqüentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores. Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado. AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OGUM Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande. Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor. São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e idéias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas idéias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas. As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca “falam por trás” de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos. Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele conseguisse esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor. A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra. Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas. É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos. Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações perenes, mas sim superficiais e rápidas. COZINHA RITUALÍSTICA CARÁ COM DENDÊ E MEL Lave um inhame em sete águas (sete vezes), depois coloque numa gamela de madeira ou alguidar. Com uma faca (obé), bem afiado, corte-o na vertical. Na banda do lado esquerdo se passa dendê e na do lado direito mel. PALITEIRO DE OGUM Cozinhe um Cará com casca e tudo. Coloque numa gamela de madeira ou alguidar. Espete palitos de Mariô por toda a superfície. Pode regar com dendê ou mel. FEIJÃO MULATINHO Cozinhe o feijão mulatinho (ou cavalo) e tempere-o com cebola refogada no dendê, coloque em um alguidar e enfeite com 7 camarões fritos no dendê. LENDAS DE OGUMCOMO OGUM VIROU ORIXÁ Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé. Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! – “Ogum Rei de Irê!” Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, “akorô”. Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô – “Ogum dono da pequena coroa”. Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá. LENDA DE OGUM XOROQUÊ Uma vez ao voltar de uma caçada não encontrou vinho de palma (ele devia estar com muita sede), e zangou-se de tal maneira que irado subiu a um monte ou montanha e Xoroquê (gritou Ferozmente ou cortou cruelmente do alto da montanha ou monte), cobrindo-se de sangue e fogo e vestiu-se somente com o mariwo, esse Ogum furioso chamado agora de Xoroquê, foi para longe para outros reinos, para as terras dos Ibos, para o Daomé, ate para o lado dos Ashantis, sempre furioso, Guerreando, lutando, invadindo e conquistando. Com um comportamento raivoso que muitos chegaram a pensar tratar-se de Exu zangado por não ter recebido suas oferendas ou que ele tivesse se transformado num Exu (talvez seja por isso que chegue a ser tratado como sendo metade exu por muitos do candomblé). Antes que ele chegasse a Ire, um Oluwo que vivia lá recomendou aos habitantes que oferecessem a Xoroquê, um Aja (cachorro), Exu (inhame), e muito vinho de palma, também recomendou que, com o corpo prostrado ao chão, em sinal de respeito recitassem o seus orikis, e tocadores tocassem em seu louvor. Sendo assim todos fizeram o que lhes havia sido recomendado só que o Rei não seguiu os conselho, e quando Xoroquê chegou foi logo matando o Rei, e antes que ele matasse a população Eles fizeram o recomendado e acalmaram Xoroquê, que se acalmou e se proclamou Rei de Ire sendo assim toda vez que Xoroquê se zanga ele sai para o mundo para guerrear e descontar sua ira chegando ate a ser considerado um Exu e quando retorna a Ire volta a sua característica de Ogum guerreiro e vitorioso Rei de Ire. OGUM DÁ AO HOMEM O SEGREDO DO FERRO Na Terra criada por Oxalá, em Ifé, os Orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole. Por isso o trabalho exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era necessário plantar uma área maior. Os Orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área de lavoura. Ossãe, o Orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Ossãe, todos os outros Orixás tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio. Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão. Ogum respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá. Os Orixás invejaram Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra. Por muito tempo os Orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si. Os Orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta. Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de ferro. Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada. Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogum se decepcionou com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los. Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu.Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não o esqueceram. Todo mês de dezembro, celebravam a festa de Uidê Ogum. Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogum. Ogum é o senhor do ferro para sempre. OGUM LIVRA UM POBRE DE SEUS EXPLORADORES Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um babalawo, que o mandou fazer um ebó na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogum, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ogum e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro (mariwo), e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez. Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo. OGUM CHAMA A MORTE PARA AJUDA-LO NUMA APOSTA COM XANGÔ Ogum e Xangô nunca se reconciliaram. Vez por outra digladiavam-se nas mais absurdas querelas. Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois. Eram, os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ogum propôs a Xangô uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse. Xangô fez alguns gracejos, Ogum revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente. Ogum propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. Quem juntasse mais, ganharia. e quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta. Puseram-se de acordo. Ogum deixou Xangô e seguiu para a casa de Iansã, solicitando-lhe que pedisse a Iku (a morte) que fosse à praia no horário que tinha combinado com Xangô. Na manhã seguinte, Ogum e Xangô apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou. Cada um ia pegando os búzios que achava. Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. Ogum, calado, continuava a coleta. O que Xangô não percebeu foi a aproximação de Iku. Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto. Xangô soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku. À noite Ogum procurou Xangô, mostrando seu espólio. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta. Fonte: Povo de Aruanda

quarta-feira, março 30, 2011

Palavras do Preto Velho Guaraci do Congo







EU SOU Velho Guaraci do Congo, EU SOU um dos mentores desse muleco cá, alguns de vocês já me conhecem, outros não. Eu trabalho com S. Francisco de Assis, e trago algumas orientações espirituais, vindas de Shambhala, vindas de Kuthumi.Tudo o que tem sido falado, e falado, e falado, em relação à mudança de vibração dessa terra, como vocês classificam, de um planeta de provas e expiações para um planeta de regeneração, parece que alguns de vocês ainda não tem muito bem feito na cabeça a diferença entre essas duas categorias planetárias.O mundo de provas e expiações é aonde os espíritos vem para cumprir débitos de encarnações anteriores, e também vem fortalecer a sua existência espiritual, pedindo provas, para suportá-las, para aprimorar seu espírito, há diferença entre provas e expiações:As provas o espírito pede.As expiações ele cumpre, ele vem com aquilo pela lei da ação e reação que rege este planeta Terra.O Planeta de regeneração é o planeta que vai abrigar espíritos que já não tem a necessidade de expiações muito graves, mas sim que já passou por algumas provas e as suportou, e agora ele vem para se purificar, ele está como vocês estão aqui dentro desse centro hoje, assim que é um planeta de regeneração, é todo mundo tentando ajudar ao próximo, e se ajudar, é consciente de que precisa evoluir. Porque vocês são minoria, que estão aqui dentro de um templo religioso, orando e pedindo pelos seus e por si próprio.A maioria dos encarnados e desencarnados deste planeta não sabe nem que existe vida depois do desencarne. Então está é a diferença pequena, básica, de tudo que vai acontecer. Agora eu vou entrar em outra coisa:Dentro de toda essa explicação pequena, o que que leva vocês a refletir? E que seria necessária esta reflexão:Vocês querem ter expiações?Porque se vocês se vocês agem conforme o Evangelho, ou procuram agir conforme o Evangelho de Jesus, vocês não terão problema de criar expiações para vocês.Criando expiações, infelizmente, ou melhor dizendo, felizmente, a terra não será mais uma casa apropriada para este tipo de encarnação, nós não teremos mais a capacidade de abrigar espíritos em expiação. Portanto, quando nós dizemos aqui, que vocês precisam entrar numa nova era, é disso que estamos falando: Ajam com a verdade, Ajam com amor, Ajam com a fé, porque assim vocês não criam carmas, assim vocês não criam expiações.As provas são pedidas, e num mundo de regeneração, as provas são simplesmente, saber dividir, saber amar, não são provas graves como são hoje aqui na terra, como doenças, como privações financeiras, privações econômicas, privações de saúde e diversos tipos de privações.Moleco, você pegue um pouquinho de água, por favor? (A entidade pede um copo d´agua a um dos assistentes) Eu gosto de falar, mas eu gosto de água, que alias é uma coisa que vocês precisam ingerir bastante. Porque o corpo de vocês foi feito é disso, quase todo, e com todo esse calor que ta tendo nesta terra, e com essa mudança planetária, lembrem-se que não são só vocês que são 70% de água não, o planeta também é, se o planeta tem essa maioria de água e vocês também, aonde vem a mudança? É na água, então ingiram bastante água.Abandonem o ego de vocês, eu vou tentar ilustrar um cadinho o que é o ego. Ego é tudo aquilo que quer tudo pra si, por isso vem as palavras “egocentrico” “egoísmo” porque é a vontade do ego. O ego é o contrário quase da alma, na verdade é complemento, mas é quase contrário. Porque o ego coloca o psiquismo na frente de tudo, então tudo tem que ser pra vocês, quando vocês quere, e, até Deus vocês acusaram de ser injusto, quer maior manifestação do ego do que você dizer que Deus não é justo?Quando alguém lhes fizer mal, não deixe o ego responder, porque o ego é orgulhoso, ele vai querer pagar na mesma moeda, ou vai querer mostrar pra aquela pessoa o quanto ela estar errada não a fim de consertar, mas a fim de deixá-la inibida, constrangida perante a sociedade, perante você. A alma, o coração, o espírito não, ele alem de perdoar de pronto, ele também ajuda na orientação desse espírito desgarrado, no momento certo, todos nós temos o momento certo de evoluir, ou seja, não adianta querer doutrinar quem não quer doutrinação. Não percam tempo falando, mas sim façam com que a vida de vocês, como diz o Sto. Agostinho: “preguem o Evangelho, mas se use palavras se for necessário”, faça o Evangelho no seu dia-a-dia, nas suas atitudes, porque assim vocês chegarão até aqueles que não querem ser doutrinados, porque não querem ouvir, mas não deixarão de enxergar o bom exemplo dado por vocês. Este é o recado que o Kuthumi pediu para que eu passasse a vocês, é amar ao próximo, amar a todos, a todas as criaturas, amar, amar e amar, porque se vocês não tiverem a capacidade de amar ao outros, vocês infelizmente terão que cumprir as metas encarnatórias em outros planetas, e não é isso que nós queremos. Nós queremos todos evoluindo com este planeta Terra.Esta tão famosa data de 2012, não entrem em vibrações daqueles que querem folclorizar esta data belíssima, esta data de muita luz, como alguns querem colocar isso como uma banalidade, como uma piada, uma anedota, não deixem que isto aconteça.Esta data é muito importante sim, podem haver eventos climáticos, eventos de placas tectônicas se movendo, e ventos e chuva, pode. Assim como pode não acontecer tão grandiosa mudança física. As mudanças já estão acontecendo, vocês já estão vendo lugares grandiosos, metrópoles, debaixo de neve e debaixo de água, no mesmo tempo, em cantos diferentes do planeta.Então orem, orem muito, e não temam esta data de 2012, porque pode ser que os eventos aconteçam com mais gravidade, ou pode ser que aconteçam com menos gravidade. Isto depende da psicosfera terrestre no momento em que a Terra for adentrar o cinturão de fótons. Quando a Terra for entrar, a psicosfera do planeta vai se ajustar à esta psicosfera do cinturão de fótons. Vocês sabem o que são fótons né? Fóton é o menor elemento da Luz, é como você desmembrasse a luz, você tem um fóton, e nós vamos entrar num cinturão de fótons, num cinturão de luz, dessa galáxia, e vamos viver as eras iluminadas, as eras de Luz, Portanto o planeta conforme sua psicosfera pode ter alterações físicas grandiosas, assim como pode ter alterações físicas menores, o fato é que alguns espíritos vão desencarnar nesta época. Não adianta vocês tentarem achar que vocês em cima da montanha, se tiver o mar invadindo, vocês num morrem, onde vocês estiverem, ou vocês se salvam ou vocês não se salvam. Não adianta querer lugares físicos para se salvar, o único lugar aonde vocês vão se salvar é dentro do próprio coração de vocês, ta certo meus filhos?Que Oxalá Divino abençoe a todos vocês, que vocês sejam sempre guiados pela luz que vocês carregam dentro de vocês.Vocês são muito formosos, só são um pouco teimosos, mas eu sei que vocês vão conseguir chegar aonde vocês tem que chegar. Nenhum de vocês está aqui à toa ouvindo as palavras nossas, vocês estão aqui porque alguém trouxe vocês aqui. Seja Deus, seja um mentor, um amigo espiritual, um parente desencarnado. Você não está aqui dormindo, você veio cá hoje para acordar e para saber das suas responsabilidades. Eu sei que conhecimento só trás responsabilidades, é isso que Kuthumi ensina nós, lá na nossa escola de colaboradores do planeta terra. Contem com vocês e o coração de vocês, ô meus filhos, é tão fácil amar, que vocês tem preguiça disso, porque vocês gostam as vezes das coisas mais difíceis.Eu vou só terminar agora contando uma pequena história, da minha ultima encarnação como escravo africano. Alguns de vocês já conhecem.Eu fui para as Minas Gerais, trabalhava com café, ao contrário do que muitos pensam, na época também se plantava café em minas, na época eu era muito maltratado, e fui vendido para região onde hoje é campos dos goytacazes, e lá eu trabalhava com cana de açúcar, lá os donos maltratavam, mas não era tanto quanto os mineiros faziam. Aí eu sempre ia à praia, demorava um dia pra ir e voltar, pra ir pra praia rezar pra Oxalá e para Iemanjá, para pedir a eles que me libertasse, e libertasse meu povo, eu não vou dizer que não fui tomado pela revolta nenhuma vez, eu fui tomado sim, mas eu corria aos braços de Xangô e pedia resignação, então meus filhos eu adoeci e desencarnei.E Aí ao lado de meu corpo, meus irmãos escravos também, lamentavam a minha morte, acusando Deus de injustiça: “como um homem tão bom, pode morrer assim, sem a menor piedade de Deus?” Mas a meu ver, quando eu já estava lúcido, eu não via nenhuma injustiça divina, eu via sim a beleza da criação ao meu lado. Espíritos protetores, Orixás, uma verdadeira beleza era o que eu via depois do meu desencarne.Conclusão: Deus ouvindo minhas preces me concedeu a liberdade antes de todos, eu fui alforriado antes da lei áurea, ou seja, Ele escreveu certo por linhas tortas, como vocês gostam de dizer, Ele fez uma coisa que aos olhos externos, aos olhos de quem não estava enxergando espiritualmente era um mal, era um castigo pra alguém que era bom, e aos meus olhos, os olhos que eu tinha da espiritualidade, Deus tinha sido muito piedoso comigo, me tirando os grilhões da escravidão e me perdoando, porque mais tarde eu vinha a saber, nas colônias de Aruanda que eu fui um escravocrata egípcio, daqueles bem ruinzinhos, e eu consegui cumpri minha meta, e ainda consegui a liberdade antes do tempo, agradeçam a Deus tudo que vocês passam, tudo mesmo, porque ele sabe o que faz.Vocês podem ficar de pé? Todo mundo...Podem dar as mãos?Agora coloquem as mãos assim (para o alto)Isso é a ascenção de vocês.Pedindo aos céus alegria de viver, a proteção para os caminhos, a fé e o amor.Louvado seja a coroa de todos vocês, louvado seja o coração de todos vocês.


Cantiga cantada por Pai Guaraci.


“LÁ NO CÉU UMA LUZ BRILHOUANJOS NO TERREIRO EU CHAMEIOH DEUS, OH DEUS, COMO BRILHA BONITOO ANJO QUE ESTÁ EM MIM.SE OXALÁ PERMITIRQUE VENHA MEU ANJOME GUARDE MEU ANJOME ABENÇOE MEU ANJOMEU ANJO DA GUARDA ME GUARDE MEU ANJOME ABENÇOES MEU ANJOMEU ANJO DE LUZ.”


Podem abaixar os braços, que eu vou embora, cantando, e vocês podem acompanhar eu, na oração de Mestre Francisco de Assis.


“Senhor,Fazei-me instrumento de vossa Paz,Onde houver ódio que eu leve o Amor,Onde houver ofensa que eu leve o Perdão,Onde houver discórdia que eu leve a União,Onde houver dúvidas que eu leve a Fé,Onde houver erro que eu leve a Verdade,Onde houver desespero que eu leve a Esperança,Onde houver tristeza que eu leve a Alegria,Onde houver trevas que eu leve a Luz,Oh Mestre, Fazei que eu procure mais,consolar que ser consoladocompreender que ser compreendidoamar que ser amadopois é dando que se recebee é perdoando que se é perdoadoe é morrendo que se vive,para a VIDA ETERNA.”



terça-feira, março 22, 2011

Ação e Reação - A evolução nas Palavras do Preto Velho





AÇÃO e REAÇÃO

A Evolução nas Palavras do Preto Velho



Recebi este texto a alguns anos atrás, envio para compartilhar,

está como autor desconhecido, se alguém souber a autoria peço que me informe.

É uma reflexão interessante... sobre EVOLUÇÃO.

Boa Leitura, Alexandre Cumino


PRETO VELHO – Meu filho, você tem que evoluir, tudo evolui.

MÉDIUM – O que tenho que fazer, meu Pai?

PRETO VELHO – Se desfaça de todos os bens materiais que você tem. Dê uma parte para os pobres e necessitados e a outra para sua mulher e filhos.

MÉDIUM – De tudo?

PRETO VELHO – Sim. E também de sua mulher e filhos. Vamos sair pelo mundo ajudando aqueles que necessitam. Andaremos de cidade em cidade, de lugar em lugar. Quando tiver fome, eu providenciarei comida; quando tiver sono, eu providenciarei lugar seco e seguro para descansar; quando tiver frio, eu providenciarei agasalho e roupas...

MÉDIUM - Não sei se posso. O senhor está pedindo muito de mim.

PRETO VELHO – Mas você não quer evoluir, chegar numa consciência maior?

MÉDIUM - Eu quero evoluir, mas tenho que perder tudo o que tenho. Largar minha família, meus amigos... Não sei se posso fazer isso para evoluir. Prefiro ficar como estou e buscar uma outra forma de evoluir. O senhor mesmo não disse que existem muitas formas de evoluir, porque só me deu esta escolha?

PRETO VELHO – Quando você disse que era necessário retirar as imagens do meu Congá que isso era necessário para que minha casa evoluísse, que eu evoluísse, não me deu escolha. Eu deixei. Quando você disse que era necessário retirar os atabaques, que isso era necessário para que minha casa evoluísse, que eu evoluísse, não me deu escolha. Eu deixei. Quando você disse que era necessário parar com as oferendas para os Orixás, que isso era necessário para que minha casa evoluísse, que eu evoluísse, não me deu escolha. Eu deixei. Quando você disse que não era preciso utilizar as guias, que isso era necessário para que minha casa evoluísse, que eu evoluísse, não me deu escolha. Eu deixei. Quando você disse que era necessário que os Guias de nossa casa parassem de beber e fumar, que isso era necessário para que minha casa evoluísse, que eu evoluísse, não me deu escolha. Eu deixei. Você procurou outras formas e outros meios na procura de uma consciência maior. Introduziu várias formas e meios diferentes dos que eu lhe ensinei, pois você começou a achá-los atrasados, primitivos. No entanto, eu pedi a você apenas uma coisa, e você diz que é incapaz. Você mudou tudo o que achou necessário, mas não soube mudar por dentro. Evolução não se faz mudando formas, fundamentos, ritos, meios... Evolução se faz de dentro para fora. Não importa o nosso modo de operar nossa magia, mas sim o que ela representa; sua essência e importância na vida dos que nos procuram; a doutrina e a responsabilidade de nossos rituais; nossos fundamentos; o respeito pelo que é nosso. Você mudou procurando o novo, mas apenas buscou novas formas de fazer velhas coisas. Coisas que você achava que eram primitivas e que não fariam você evoluir. Você hoje se baseia em outros para mostrar sua evolução e consciência: se eles mudam lá, você também muda aqui; se eles fazem lá, você faz aqui. Você fugiu das velhas formas, mas apenas buscou o moderno para fazer o velho. Você já está velho. Em breve irá partir e eu não mais o usarei como cavalo. Tenho, agora, nova missão com outro médium. Nele a tradição será mantida e o novo se fundira´ com o velho em busca da essência e não da forma.

MÉDIUM – O Senhor nunca me recriminou. Nunca disse que não.

PRETO VELHO - Se eu dissesse que não, você ficaria frustrado. Faria as coisas por fazer, sem o respeito ou os fundamentos necessários. Então eu deixei que você fizesse o que achava que era correto, pois você o faria com gosto. Na verdade, você nunca perguntou o que eu achava de tudo isso. Mas mesmo em desacordo, reconheço que você ajudou muitas pessoas.

MÉDIUM – Porque o Senhor só está me dizendo isto agora? Depois de tanto tempo trabalhando comigo...

PRETO VELHO – Você mudou tanto... Tanto que nem o reconheço mais... Só que agora você esta velho. Já está indo embora. Então vim para pedir uma última caminhada juntos, para que você encontrasse sua essência e tivesse a oportunidade de alcançar o que você buscou todos esses anos: evoluir, alcançar uma consciência com Deus.

MÉDIUM - Então todo esse tempo... Todas essas mudanças que fiz... Foram em vão?

PRETO VELHO - Não. Muitos que aqui estiveram e saíram para construir suas casas e nelas buscaram a essência daquilo que você ensinou, e que não mudaram por mudar, seguindo um caminho próprio, conseguiram encontrar uma consciência com Deus e uma evolução de dentro para fora. Você, mesmo sem saber, os ajudou.

MÉDIUM - Mas eu expulsei muitos médiuns por não quererem seguir com minha linha de trabalho.

PRETO VELHO – Eles souberam tirar o melhor de seus ensinamentos e dos meus. Eles abriram suas casas e hoje fazem Umbanda de várias formas.

MÉDIUM - Então...

PRETO VELHO - Sim. Aqueles que você dizia que ficaram no caminho; aqueles que não ficaram mudando constantemente, mas souberam degustar cada momento e perpetuar a tradição, os costumes, os fundamentos, os ritos... Eles mudaram a forma de ver o mundo e sua relação com ele. Buscaram a modernidade nas relações com os médiuns, no entendimento dos novos problemas, essa modernidade viciosa do ser humano. Utilizaram a modernidade e o novo para levar a doutrina, os ensinamentos, a palavra e o auxílio aos que necessitavam, mas souberam dar continuidade à nossa cultura e nossa forma, alcançando a essência naturalmente, gradativa. Mesmo o novo precisa de tradição para virar doutrina e buscar em sua própria forma e essência. Agora é hora de seguirmos juntos.

MÉDIUM - Mas eu não sei se posso largar tudo... Eu disse ao Senhor que não podia largar tudo o que construí, minha família, mulher, filhos, amigos...

PRETO VELHO – Olhe para baixo... O que você está vendo?

MÉDIUM – Minha família. Minha mulher, meus filhos, meus amigos... Estão à minha volta. E com lágrimas se despedem... Para onde vamos, meu Velho?

PRETO VELHO - Encontrar o seu cavalo e o Terreiro onde você irá trabalhar dando auxílio aos necessitados; conforto aos desesperados; curando os enfermos; agasalhando o frio das almas com palavras de calor e esperança; dando de beber a sede de muitas almas em busca de luz... Agora você é um de nós.

MÉDIUM - É engraçado, meu Velho. Eu busquei tanto o novo tentando alcançar a evolução que evoluí com a missão da tradição e de perpetuar o que não soube dar o devido valor. O Senhor ficará comigo?

PRETO VELHO - Sim, e lhe darei meu nome e minha força. Te ensinarei tudo o que será necessário. O resto será entre você e seu médium. Ele é novo e muito parecido com você.

MÉDIUM – E como devo agir com ele? Também sofrerei como o Senhor sofreu comigo?

PRETO VELHO - Eu não sofri com você.

MÉDIUM - Mas o Senhor disse...

PRETO VELHO - Eu não disse que sofri. Estava preparando você para tudo isso. Às vezes só se dá o real valor a algo quando ele escorre de nossas mãos. Você vivenciou a tradição, os costumes e os novos meios, as novas formas. Adquiriu experiências diferentes. Segure minha mão...

MÉDIUM - Estou mudando...

NO TERREIRO - “Bate tambor lá na Angola, bate tambor... Bate tambor lá na Angola, bate tambor... Os meus Pretos Velhos batem tambor... Nas minhas Almas batem tambor... Para todo povo, batem tambor... Lá na Angola, bate tambor... Bate tambor lá na Angola, bate tambor... Bate tambor lá na Angola, bate tambor...“.

PRETO VELHO - É aquele...

* O novo PRETO VELHO incorpora e um novo ciclo se inicia...


"Umbanda é Religião, portanto só pode fazer o BEM !!!"

Alexandre Cumino



domingo, março 20, 2011

O que é Umbanda?








O que é Umbanda?
Por Alexandre Cumino

O texto abaixo é parte do conteúdo do livro História da Umbandapublicado em Agosto de 2010, Editora Madras.

Definir o que é Religião não é tarefa fácil, definir o que é a Religião de Umbanda é muito mais complexo. Existe uma dificuldade em entender uma religião ainda em formação, na qual os elementos oriundos de outras culturas são, ainda, muito vivos e perceptíveis, o que faz parecer uma simples mistura de fatores diversos. No entanto, como diria Arthur Ramos, não existe religião pura[1], nem na essência e nem na forma, nenhuma outra teve origem diferente, “nada nasce do nada” ou melhor “nada se cria, tudo se transforma”. Novas religiões nascem da necessidade em atribuir novos significados a antigos símbolos, trazendo valores que possam dar um novo sentido a nossas vidas. Símbolos são um patrimônio da humanidade, que transcendem nossas visões individuais e limitadas, exercendo influência subjetiva em quem crê ou não nos mesmos, independente das mais variadas interpretações. Quem percebe que os símbolos são ancestrais, corre o risco de confundir o símbolo (atemporal) com sua interpretação (temporal), estes acabam por declarar que “sua interpretação (temporal) é milenar e ancestral (atemporal)”. Nossas interpretações são religiões, que nascem, crescem, evoluem, envelhecem e morrem, o que fica é símbolo e uma nova religião vai, com certeza reinterpretá-lo. Desta forma a Umbanda renova a interpretação para símbolos diversos; produzindo um novo significado, daí uma nova religião na qual antigos símbolos e novos valores se acomodam assumindo uma identidade única.

Para entender melhor estes símbolos, seus significado e formas pelas quais se acomodam nesta nova religião, nos fazemos a pergunta:

O que é Umbanda?

A pergunta não é nova, desde seu nascimento que procuram umbandistas e não umbandistas responder a esta pergunta. Ao longo destes 100 anos de Umbanda no Brasil, é possível colher diversas respostas, sob diferentes pontos de vista, paradigmas e interesses. AHistória da Umbanda nos ajuda entender que as diferentes interpretações também são influenciadas por questões regionais, sociais, políticas, econômicas e culturais.

“A Umbanda é um ritual religioso tão grande que
nem que mil mãos escrevessem por mil anos ininterruptos
esgotariam seus mistérios”
Rubens Saraceni. Umbanda o Ritual do Culto à Natureza, 1995.


  • “Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”

Caboclo das Sete Encruzilhadas em seu médium Zélio de Moraes (15 de Novembro de 1908)

  • “Umbanda é Amor e Caridade”

Mãe Zilméia de Moraes em seus vários depoimentos para a Revista Espiritual de Umbanda, nas comemorações dos 97 anos de Umbanda e nas oportunidades que tive de estar junto dela, sempre foi esta a mesma definição dada para a Umbanda.

  • “Umbanda é a Escola da Vida”; “Umbanda é coisa séria, para gente séria”

Caboclo Mirin e seu médium Benjamim Figueiredo (Tenda Mirim, 1924)

  • “O objetivo da Linha Branca de Umbanda e Demanda é a pratica da caridade, libertando de obsessões, curando as moléstias de origem ou ligação espiritual, desmanchando os trabalhos da Magia Negra, e preparando um ambiente favorável a operosidade de seus adeptos”

Leal de Souza (O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, 1933, p.49)

  • “Religião Afro-indo-católico-espírita-ocultista”

Arthur Ramos, Antropólogo e etnólogo (Arthur Ramos. O Negro Brasileiro, 2ª ed. Pp.175-76, 1940 e 1ª Ed. em 1934, in, BASTIDE, 1971)

  • “Umbanda é, demonstradamente, uma das maiores correntes do pensamento humano existentes na terra há mais de cem séculos, cuja raiz se perde na profundidade insondável das mais antigas filosofias.”

Diamantino Coelho Fernandes em sua tese apresentada no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, O Espiritismo de Umbanda na Evolução dos Povos, como delegado e representante da Tenda Mirim, dia 19 de Outubro de1941.
  • “O Espiritismo de Umbanda é... ao mesmo tempo Religião, Ciência e Filosofia”
Diamantino Coelho Fernandes em outra tese para o Primeiro Congresso, com o tema O Espiritismo de Umbanda como Religião, Ciência e Filosofia, também em nome da Tenda Espírita Mirim, dia 23 de Outubro de 1941.

  • “Umbanda é um ritual. Sua finalidade é o estudo e consequentemente a prática da magia.”; “Umbanda é o ritual indispensável à ação do homem no conhecimento de si mesmo e, consequentemente, no desbravamento do Universo, pois o Universo é um reflexo seu.”

Dr. Baptista de Oliveira, em memória apresentada no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, com o temaUmbanda: Suas origens – Sua natureza e sua forma, dia 22 de Outubro de 1941.

  • “Umbanda – tanto quanto qualquer outra doutrina espiritualista, alicerça-se nos Mistérios Arcaicos, é uma só e mesma coisa – Iniciação.”

Antônio Flora Nogueira fez esta afirmação durante o Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, em 25 de Outubro de 1941, registrado no livro de mesmo nome, p.257. E complementa ainda:
“Conforme tão eruditamente já foi exposto pelo espírito brilhante do operoso trabalhador da ‘Seara de Mirim’, Sr. Diamantino Coelho Fernandes, verifica-se que a lei-doutrina, ou mística, pertinente e inerente aos Mistérios Egípicios, Gregos, Aztecas, ou Incaicos – consiste numa única coisa, variando apenas a sua modalidade ritualística ou escola. Por isso não podemos concordar, quando um autor umbandista, embora culto e inteligente, afirma em seu livro que ‘Umbanda é um sincretismo, ou seja um sistema filosófico-religioso obtido pela fusão de todas as crenças universais’. Ademais, Umbanda existia como organização religiosa-iniciática, algumas centenas de milhares de anos antes da existência de religiões ou cultos organizados. Assim como o Ideal-Religioso-Iniciático foi lançado no continente africano pelos divinos reis ‘Kabirus’ que vieram das terras da Lemuria, de que a África era uma parte, outros divinos reis lançaram, como instrutores, a mesma semente iniciática junto de outros povos ou continentes.

  • “Umbanda é espiritismo prático, é Magia Branca, é sessão de espiritismo realizada em mesa ou terreiro, para a prática do bem”

Lourenço Braga, 1941 (Lourenço Braga. Umbanda e Quimbanda. Rio de Janeiro: Ed. Spiker, 1961, 12ª edição, p.68). Nesta mesma obra o autor faz observações interessantes sobre a Umbanda, que merecem nossa citação aqui abaixo:
Não se deve dizer – ‘Linha de Umbanda’ - , mas sim, - ‘Lei de Umbanda’ - ; Linhas são as 7 divisões de Umbanda.
‘Umbanda’ tornou-se conhecida no Brasil através da colonização africana. Sua significação era a seguinte: - fazer magia, por intermédio das forças invisíveis -, isto é, por intermédio das forças astrais, através de rituais de preceitos, de sinais cabalísticos, de cânticos, de música apropriada e de elementos outros, tais como sejam: - a água, o fogo, a fumaça, as bebidas, as comidas, os animais, objetos apropriados, etc.” p.12
“Essas organizações espirituais, ‘Umbanda’ e ‘Quimbanda’, vêm sofrendo várias modificações, desde a sua existência até à presente época, modificações essas acordes com a evolução dos espíritos reencarnados e com a marcha evolutiva do Planeta Terra. Assim é que, de acordo com as determinações do plano sideral, têm elas atualmente a organização apresentada neste livro (1941), a qual sofrerá ligeira alteração no ano 2.000 e profunda alteração no ano 2.200.”pp.14 e 15
“...Não, caros leitores, não se deixem empolgar e nem arrastar pelas inovações bizarras e nem tão pouco misturem Umbanda com Teosofia, Esoterismo ou Astrologia!” p. 15

Na obra Umbanda e Quimbanda – 2ª Parte, 1955, Lourenço Braga afirma ainda:

Meus irmãos em Deus, tudo no Universo é vibração. Deus é o criador. Ele pensa, mentaliza e cria. A própria matéria é fluido condensado, é a vibração do pensamento Divino que tomou forma, cristalizou-se.
Umbanda é pois uma vibração permanente, emanada da Consciência Cósmica ou pensamento Divino, que penetra no mundo espiritual, obedecendo a uma lei, através de cinco espécies de ondas, em posição vertical, obliqua e horizontal, atingindo assim o Plano Sideral. (p.17)

  • “Umbanda – sincretismo de todas as religiões do planeta”

Capitão José Álvares Pessoa, Presidente da Tenda Espírita São Jerônimo, durante a inauguração da Tenda Espírita Santo Agostinho, registrado no livro O Culto de Umbanda em Face da Lei (Rio de Janeiro: Biblioteca Espiritualista de Umbanda – UEUJ, 1944. P.127). Abaixo outras definições de Capitão Pessoa registradas em outra obra (José Álvares Pessoa.Umbanda religião do Brasil. São Paulo: Ed. Obelisco, 1960, p.84 e p.102):
“Umbanda é o milagre vivo diante dos nossos olhos deslumbrados; Umbanda é a ação do Cristo na sua jornada pelo planeta, realizando a magia divina em favor da humanidade que se debate no sofrimento e na dor. Umbanda é magia, e magia é a mola que move este mundo.” “Umbanda é a própria alma do mundo trabalhando em prol da regeneração dos homens.”
  • “A UMBANDA é hoje uma religião nacional, bem nossa, bem brasileira.”;

“A ‘Umbanda’ é uma ‘religião-ciência’, resultante da mescla de tradições, conhecimentos, cultos e ritualísticas oriundos do africanismo, do ameríndismo, do catolicismo e do espiritismo.”

Emanuel Zespo (Emanuel Zespo. O que é a Umbanda? Rio de Janeiro: Biblioteca Espiritualista Brasileira, 1946 – 2ª Ed. 1949. p.15 e 26)

Dando seqüência a esta definição o autor ainda explica:
“A Umbanda é uma religião porque possui culto, ritual, sacerdote, oferenda, e tudo quanto uma religião devidamente organizada possui neste ou naquele grau. A Umbanda é uma ciência porque, não se limitando a aceitação cega da imposição ritualística sacerdotal dogmática, indaga, pesquisa, investiga o dito sobrenatural servindo-se dos métodos mediúnicos kardecianos (mesmo quando seus adeptos não conhecem a ‘Terceira Revelação’) e dos métodos mediúnicos de Papus e Elifas Levi (mesmo quando as fórmulas evocativas são diferentes). A Umbanda, tanto quanto o espiritismo é uma ciência de experimentação e passível de evolução em grau que se não pode limitar. E é a Umbanda uma religião verdadeira? Para o católico nenhuma outra religião, além da sua, é verdadeira; e a sua fórmula dogmática é: ‘Fora da Igreja não há salvação’. Entretanto para o estudioso de religião comparada, que, à luz da história das civilizações e da ciência, concluiu que a fonte é uma só, a Umbanda não apenas é uma religião verdadeira como é também um vasto campo de pesquisa teosófica. É, portanto, a Umbanda, como antes dissemos, uma verdadeira religião e uma verdadeira ciência.”

No livro Codificação da Lei de Umbanda (Emanuel Zespo, Rio de Janeiro: Ed. Espiritualista, 1953, p.8 e p.47) o mesmo autor faz ainda outras considerações a cerca do que é a Umbanda, vejamos:
“A Umbanda – tal como surge agora no Brasil – é uma religião nascente, nova, moderna, produto da civilização ambiental; mas, também velha, antiga, remota quanto aos seus preceitos, à sua teogonia... Tanto quanto o Budismo aproveitou quase tudo do Bramanismo, o Cristianismo conservou o melhor do Mosaísmo, assim a Umbanda aproveita, conserva e guarda o que de bom e aproveitável pode haver em todas as religiões do passado. A Umbanda não é apenas uma corrente religiosa: ela é o sincretismo de todas as correntes religiosas, ela guarda os fundamentos de todas as teogonias e resume as bases de todas as filosofias”, “A Umbanda... é uma religião e uma ciência, um tipo de espiritismo religioso do Brasil”.

  • “A Umbanda é uma ‘Lei’, que engloba todos os cultos de origem africana e, atualmente, também os de origem ameríndia.”

Oliveira Magno (A Umbanda Esotérica e Iniciática, 1950, p.14), como o autor teve alguns outros títulos publicados coloco abaixo mais duas considerações feitas por ele no título Ritual Prático de Umbanda, 1953, p.12 e 13, afim de complementar sua visão e a evolução do seu entendimento a cerca do que é a Umbanda:
“Podemos considerar a Umbanda na fé e na lei. Se a considerarmos na fé, principalmente de Jesus, temos uma religião; mas se a considerarmos na sua lei, temos uma ciência, porque na lei se pratica a magia, e a magia é considerada em ocultismo uma ciência.”
“Sendo nossas mentes limitadas, não nos é possível atingir ainda o ilimitado e portanto quem quiser saber o que é Umbanda que explique primeiro o que é Deus e a sua origem.”

  • “A Umbanda é a Luz Divina, é a Fôrça, é a Fé, ou melhor: é a própria vida”
Aluízio Fontenele (EXU, 1952, Rio de Janeiro: Ed. Aurora)

  • “Sem cogitar da etimologia do vocábulo, podemos considerar a Umbanda como a ação organizada contra o erro e a maldade sob todos os seus aspectos, o da magia negra inclusive”

João Severino Ramos (Tenda Espírita São Jorge. Umbanda e seus Cânticos, Rio de Janeiro, 1953, p. 22)


  • “Umbanda é uma seita, professada dentro dos cultos afro-brasileiros e dentro dela existem várias nações, como: Omolocô, Keto, Nagô, Cambinda, Angola e outras mais.”

Tancredo da Silva Pinto (O Eró da Umbanda – Ed. Eco – sem data)

  • “Umbanda é a banda espiritual que DEUS deu de sua banda ao homem para o esclarecimento do seu espírito na verdade que é a luz e na fé que deu inicio a religião”

Espírito de Francisco Eusébio “Chico Feiticeiro” – psicografada por sua médium Maria Toledo Palmer (Maria Toledo Palmer. A Nova Lei Espírita Jesus e a Chave de Umbanda, 1953. p.48)

  • “Umbanda é Evangelho e Magia. Luz que escapa às limitações. Vibração que percorre os espaços e vence os milênios. Escola magnífica da Ciência Secreta!”
Paulo Gomes de Oliveira (Umbanda Sagrada e Divina, 1953, Rio de Janeiro: Ed Aurora)

  • “Umbanda é a Religião ensinada pelos Pretos Velhos e Caboclos de Aruanda”

AB’D ‘Ruanda (AB’D ‘Ruanda. “Lex Umbanda: Catecismo de Umbanda”. Rio de Janeiro: Ed. Aurora, 1954, p.17)

  • “Sincretismo Nacional Afro-aborígene, espírita cristão”

Jamil Rachid, 1955 (Definição da Umbanda nos estatutos daUnião de Tendas, presidida por Pai Jamil, citado por NEGRÃO, 1995. p. 99; a mesma definição consta nos estatutos do SOUESP, Op. Cit. p. 147)

  • “A Umbanda auto-representada pelo Congresso é cristã, espírita-kardecista, ecumênica e moralizada.”

Primeiro Congresso Paulista de Umbanda, 1961 (Citado por Lísias Nogueira Negrão, Entre a Cruz e a Encruzilhada, 1995. p.94)

  • “A Umbanda é um novo culto brasileiro do século XX, resultante do sincretismo religioso de práticas e fundamentos católico-banto-sudaneses, apresentando algumas fusões ameríndia e oriental, com observância do evangelho segundo o espiritismo, constituídos de planos espirituais evolutivos pela reencarnação. Em síntese: A Umbanda é um culto espírita brasileiro, com ritual afro-ameríndio, enriquecido com alguma liturgia católica”

Cavalcanti Bandeira (O que é a Umbanda. Rio de Janeiro: Ed. ECO, primeira edição em 1961 e segunda edição em 1973, p.36)

  • “A Umbanda é um culto espírita ritmado e ritualizado”

Fabico de Orunmilá, citado por Cavalcanti Bandeira na obra O que é a Umbanda, 1961.

  • “Umbanda é espiritismo prático é magia branca, é sessão de espiritismo realizada em mesa ou terreiro, para a prática do bem, e foi trazida para o Brasil pelos pretos africanos”

Benedito Ramos da Silva, no livro Ritual de Umbanda, citado por Cavalcanti Bandeira, 1961, p.113.
  • “A Umbanda é perfeita. Religião indubitavelmente pura, já que é baseada nas forças da Natureza, a Umbanda é ciência das mais belas, e forçoso é reconhecer que seus princípios filosóficos são um tanto complexos e não são fáceis de uma assimilação geral, até mesmo para seus praticantes mais convictos”

Átila Nunes Filho em Umbanda: Religião-desafio (Rio de Janeiro: Ed. Espiritualista, 1969. p.196) que complementa:
“As opiniões sobre os fundamentos da Umbanda se entrechocam e os exegetas se perdem no labirinto das teimosias, dos pontos de vista inarredáveis, e assim, geram controvérsias que levam os praticantes do culto à duvida constante sobre o que é certo ou que lhes parece incerto.” (p.196)
“ A Umbanda tem sua origem na ‘magia’, ou seja: ‘religião dos magos, ciência superior, sabedoria adquirida em conhecimento e experiências práticas, sensação de harmonia, fascinação, encanto...’ Umbanda não é brasileira nem africana; Umbanda é universal, pois suas pegadas são encontradas em toda parte, desde a criação do mundo.” (p.197)

  • “Umbanda é luz que ilumina os fracos e confunde os poderosos, os maus”

Decelso (Decelso, Umbanda de Caboclos, 1972)

  • “A Umbanda tanto quanto o Espiritismo, é uma ciência de experimentação e passível de evolução em grau que se não pode limitar”

Primado de Umbanda (Primado de Umbanda, Glossário, p.96. Decelso, Umbanda de Caboclos, 1972, p.23)


  • “Umbanda é uma religião espírita, ritmada, ritualizada, euro-afro-brasileira”

Ronaldo Linares (Definição dada em aula, apostilada, por Ronaldo Linares para sua 25º turma de Sacerdotes Umbandistas, 2007. Também consta na sua obra Iniciação à Umbanda, Ed. Madras, 2008, p.52 )

  • “Umbanda é o Ritual do Culto à Natureza”;
“Umbanda é o sinônimo de prática religiosa e magística caritativa”

Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada, 2001 e Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, 2003, Ed. Madras, Rubens Saraceni).

  • “Umbanda é uma poderosa pajelança urbana”

Edmundo Pellizari (Jornal de Umbanda Sagrada, Julho de 2009)

  • “Forma cultural originada da assimilação de elementos religiosos afro-brasileiros pelo espiritismo brasileiro urbano; magia branca" (Do quimbundo,umbanda, ‘magia’)

Aurélio Buarque de Holanda (Novo Dicionário Aurélio, 1986)


  • “Se o Espiritismo é crença à procura de uma instituição, a Umbanda é aspiração religiosa em busca de uma forma.” ( p. 33)

Candido Procópio Ferreira de Camargo[2], Sociólogo, dando continuidade à obra de Roger Bastide (Socilogia da Religião), dedicou especial atenção ao “Kardecismo e Umbanda”. Definindo ambas como “Religiões Mediúnicas”,que fazem parte de um “continuum mediúnico”, como uma unidade, que “abarca desde as formas mais africanistas de Umbanda até o Kardecismo mais ortodoxo”.

Sobre a Umbanda ele complementa:

Dificuldade bastante maior apresenta-se na tarefa de caracterizar a Umbanda, pois representa sincretismo sem corpo doutrinário coerente e, pelo menos no momento (lembre-se ele está escrevendo este texto na década de 50), incapaz de se congregar em formas institucionais de certa amplitude.
Do ponto de vista histórico podemos discernir os elementos que integram o sincretismo umbandista:
a) Religiões de origem africana – dos povos Sudaneses e Banto – que vieram para o Brasil como escravos;
b) Catolicismo;
c) Espiritismo Kardecista;
d) Religiões indígenas (pp. 8-9)


  • “Interpretei a Umbanda como uma religião heterodoxa...”

Diana Brown (Uma História da Umbanda no Rio inUmbanda e Política, 1985. p. 40)

  • “Umbanda é, sobretudo multiforme, um sistema religioso estruturalmente aberto.”

Lísias Nogueira Negrão e Maria Helena Villas Boas Concone (Umbanda: da repressão à cooptação in Umbanda e Política, 1985. p. 74)

  • “Umbanda, uma religião brasileira”

Este é o título de tese da Antropóloga Maria Helena Vilas Boas Concone, que foi usado para identificar a nacionalidade da religião, não pretendeu a autora fazer desta afirmação uma definição. Nós é que aproveitamos para lembrar que uma simples afirmação como esta pode vir a ser uma forma de identificação e definição.
Mas longe de resumir em palavras o que é Umbanda a autora afirma:
“Tentar caracterizar a Umbanda é um trabalho ingrato, escorregadio e difícil. Na verdade qualquer tentativa de caracterização absoluta está fadada, de antemão, ao insucesso”
(UMBANDA: UMA RELIGIÃO BRASILEIRA. São Paulo: Publicação do CER. Coleção “Religião e Sociedade Brasileira”, 1987. p.65)

  • “A Umbanda seria um código de percepção e ação pelo qual a visão de mundo subalterna da sociedade se elabora e manifesta”

Lísias Nogueira Negrão referindo-se a forma como Bastide e Ortiz interpretavam a Umbanda, nas décadas de 1960 e 1970, respectivamente.

  • “A Umbanda é a religião nacional do Brasil”

Afirmações políticas sobre a Umbanda no Segundo Congresso Brasileiro de Umbanda – 1961 (Citado emManchete 11/61 in Umbanda e Política. p. 27)

Artigos publicados no Jornal de Umbanda e em O Semanário, e em muitas outras colunas e publicações de Umbanda, referiam-se à Umbanda como “uma religião brasileira”, “Umbanda, Religião Nacional do Brasil”, “Umbanda, ideal religioso para o Brasil”(grifo nosso), com freqüentes menções à temática desenvolvida por Gilberto Freire de ser o Brasil o único produto de miscigenação, e a Umbanda a única e verdadeira expressão religiosa brasileira dessa mistura.[3]

  • “Umbanda é o grande e verdadeiro culto que os espíritos humanos encarnados, na Terra, prestam a Obatalá, por intermédio dos Orixás. Desse culto participam os espíritos elementais e os espíritos humanos desencarnados.” “Na sua essência e na sua finalidade, a Umbanda é idêntica a todas as religiões do passado e do presente.” “Em resumo, a Umbanda é a Caridade. Nada mais.”
Altair Pinto (Dicionário da Umbanda, Rio de Janeiro: Ed. ECO, 1971. pp. 195-197)

  • “A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face as energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.”
Leonardo Boff, teólogo cristão (Texto O Encanto dos Orixás in Jornal “A Notícia” – Joinvile – SC, 05/12/2009)

  • “Umbanda é Brasil”
Jamil Rachid (Documentário Sarava 100 anos de Umbanda, 2009, Chama Produções)

  • “Umbanda é religião, portanto só pratica o bem”
Alexandre Cumino (Documentário Sarava 100 anos de Umbanda, 2009, Chama Produções)

  • “Umbanda é amor, humildade e caridade.” “Se um centro de Umbanda cobrar, coloque os dois pés para trás e saia correndo, isso não é Umbanda!”
Leonardo Cunha dos Santos, bisneto de Zélio de Moraes (Documentário Sarava 100 anos de Umbanda, 2009, Chama Produções).
Considero importante esta colocação, não apenas por ser uma afirmação do bisneto de Zélio, mas por lembrar que definir o que não é Umbanda faz parte do entendimento daquilo que vem a ser a Religião de Umbanda.

  • “A Umbanda é uma semente divina que serve para acolher aqueles que têm mediúnidade”
Rubens Saraceni (Documentário Sarava 100 anos de Umbanda, 2009, Chama Produções)

  • “A Umbanda é uma coisa só, ela está dividida em cada um de nós, está em cada um de nós, mas é uma coisa só. Muita gente pergunta: ‘O que é Umbanda Branca, o que é Umbanda Carismática, o que é Umbanda Sagrada?’ Umbanda é Umbanda. Umbanda ainda é amor e caridade, Umbanda ainda é o grito do caboclo, Umbanda ainda é o preto velho no toco” “Umbanda é a religião mais ecológica que nós conhecemos.” “Agente pode dizer que Umbanda é a religião da onipresença divina, porque não há distinção ”
Adriano Camargo (Documentário Sarava 100 anos de Umbanda, 2009, Chama Produções)


  • “Umbanda é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”
Claudinei Rodrigues, Sacerdote de Umbanda (Durante o Primeiro Seminário da Integração do Povo de Santo Para os Direitos Humanos – Câmara Municipal de São Paulo – 23/11/2009). Claudinei explica que embora aceite a definição do Caboclo das Sete Encruzilhadas, necessitamos de uma que fale ao coração de todos os cristãos, como esta que não é sua e sim de Cristo. Esta definição à luz do Cristianismo ajudaria muito a vencer o preconceito que sofremos por parte de alguns seguimentos “neo-pentecostais”.

  • “A Umbanda é Paz e Amor, é um mundo cheio de luz, é a força que nos dá vida e a grandeza nos conduz...”
J. Alves de Oliveira (Hino da Umbanda)

  • “Umbanda é fazer o bem sem olhar a quem”
Definição popular e de domínio público.
Todas estas definições foram pesquisadas para o livro História da Umbanda, de Alexandre Cumino e Editora Madras.
Definir Umbanda é definir algo vivo e em movimento, é como querer definir o que é o “ser” em toda a sua complexidade.

Segundo Roger Bastide nos encontramos em presença de uma religião a pique de nascer, mas que ainda não descobriu suas formas[4]. É certo que Bastide faz esta afirmação no final da década de 50, sob uma perspectiva dos Cultos Afro-Brasileiros.

Lísias Nogueira Negrão afirma que:

...a identidade umbandista faz-se e refaz-se em função das demandas de diferenciação e legitimação, apresentando-se de forma eminentemente dinâmica e compósita. [5]
Hoje a Umbanda se encontra melhor estruturada, no entanto podemos dizer que ela mantém as características de:

Religião ainda em formação (Roger Bastide), heterodoxa (Diane Brown), dinâmica e sobretudo multiforme, um sistema religioso estruturalmente aberto (Lísias Nogueira Negrão) e diversa, na qual se encontra uma certa unidade na diversidade[6] (Patrícia Birman).

Em tempo, um fenômeno isolado não é Umbanda; Umbanda é Religião portanto existe dentro de um contexto histórico, geográfico, social e antropológico. Podemos dizer, num ponto de vista teológico, que Umbanda pertence a Deus e aos Orixás, quando pudermos definir Deus então, só neste dia, definiremos com precisão o que é Umbanda.
Alexandre Cumino
(Umbanda) não pode ser contida ou apreendida no seu todo por quem quer que
seja. O mais que alguém poderá conseguir será captar partes desse todo...
Umbanda traz em si energia divina viva e atuante,
à qual nos sintonizamos a partir de nossas vibrações
mentais, racionais e emocionais.
Energias estas que se amoldam segundo nosso entendimento de mundo.
Rubens Saraceni. Umbanda – O Ritual do Culto à Natureza. 1995. P. 10



[1] Arthur Ramos. O Negro Brasileiro p. tal
[2] CAMARGO, Candido Procópio Ferreira de. 1961, PP. XII
[3] Diana Brown. Uma História da Umbanda no Rio in Umbanda e Política. p.30
[4] BASTIDE, 1971, p.441
[5] Negrão, 1996 p. 170
[6] BIRMAN, 1985. p. 26

Calendário Assistência 2017

TENDA ESPÍRITA MAMÃE OXUM

CALENDÁRIO ASSISTÊNCIA - 2017.

C.E. Miguel Arcanjo e Tenda Espirita Mamãe Oxum-

Rua Francisco Framback, 91 E – Cascatinha - Petrópolis - RJ

ABRIL

MAIO

JUNHO

23 – Reabertura do Terreiro às 20h – Saudação à Ogum

02 – sexta-feira – Pretos Velhos

28 - sexta-feira - Exus

05 - sexta-feira – Pretos Velhos

07 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

10 - quarta-feira- Estudo da Umbanda

09 – sexta-feira – Saúde

12 - sexta-feira – Saúde

13 – terça-feira – Saudação Aos Exus – Bênção dos Pães – 20h

13 – sábado – Saudação aos Pretos Velhos

16 – sexta-feira – Não tem Gira

17 – quarta-feira – Doutrina - Vovó Catarina

21 – quart-feira – Doutrina – Vovó Catarina

19 – sexta-feira – Caboclos

23 – sexta-feira – Caboclos

24 – quarta-feira –Saudação à Sta. Sara,

e Povo Cigano

28 – quarta-feira – Doutrina

26 – sexta-feira - Malandros

30 – sexta-feira - Exus

JULHO

AGOSTO

SETEMBRO

05 – quarta-feira – Doutrina

02 – quarta-feira – Doutrina

01 – sexta-feira – Pretos Velhos

07 – sexta-feira – Pretos Velhos

04 – sexta-feira – Pretos Velhos

06 – quarta-feira – Doutrina

12 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

09 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

08 – sexta-feira – Saúde

14 – sexta-feira – Saúde

11 – sexta-feira – Saúde

13 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

19 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

16 – quarta-feira – Saudação à Obaluaê e Omolu

15 – sexta-feira – Caboclos

21 – sexta-feira – Caboclos

18 – sexta-feira – Caboclos

20 - quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

28 – Sexta feira - Exus

23 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

22 – sexta-feira – Não Tem Gira


25 – sexta-feira – Malandros

24 – Domingo – Saudação à Ibeijada - às 17h

30 – quarta-feira - Doutrina

27 – quarta-feira – Distribuição Doces

29 – sexta - Exus

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

.04 – quarta-feira – Doutrina

01 – quarta-feira – Terreiro Fechado

02 - Confraternização

06 – sexta-feira – Pretos Velhos

03 – sexta-feira – Não tem Gira

08 – sexta-feira – Saudação à Oxum e bênção dos Pretos Velhos – 20h

11 – quarta-feira - Não tem Esudo Umb.

08 – quarta-feira –Doutrina

09 – Oferendas na Praia – saída 17h

12 – quinta-feira – Cachoeira / Mata

10 - sexta-feira – Saúde

13 – sexta-feira – Não tem Gira

15 – Feriado – Saudação aos Malandros

18 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

17 – sexta-feira – Caboclos

20 – sexta-feira – Caboclos

22 – quarta-feira – Estudo da Umbanda

25 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

24 – sexta-feira – Exus

27 – sexta-feira - Ciganos

29 – quarta-feira – Doutrina – Vovó Catarina

A giras de sextas-feiras têm início às 20 horas. As fichas são distribuídas a partir de 19:45 até as 21:30. As pessoas que chegarem após este horário receberão apenas o passe, sem consulta.

Nossa casa não cobra consultas nem trabalhos, porém aceitamos colaboração de materiais de uso como velas, fósforos, charutos, fumos, etc...

ATENÇÃO: NÃO É PERMITIDO PARA ATENDIMENTO, PESSOAS COM MINI-SAIAS, SHORTS OU BERMUDAS CURTAS, BLUSAS MUITO DECOTADAS OU MINI-BLUSAS, CAMISETAS TIPO MACHÃO.

A CARIDADE NÃO SERÁ NEGADA, PORÉM RESPEITEM O TEMPLO RELIGIOSO.

Baixe o seu Calendário clicando no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/0B_tHAuZk-NssSVY4TG1HYVQzVTg/view?usp=sharing


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